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Exercício físico pode amenizar os efeitos colaterais do tratamento de câncer

O tratamento do câncer, apesar de eficaz, traz consigo uma série de efeitos colaterais, como queda de cabelo, anemia, infecções, perda de apetite, fadiga e diminuição da massa muscular. Uma pesquisa do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), publicada no Journal of Cellular Physiology, indica que o exercício aeróbio pode ser uma alternativa para melhorar a qualidade de vida de pacientes durante o tratamento quimioterápico. O doutorando Edson A. de Lima, orientado pelo professor José Cesar Rosa Neto, realizou testes em animais demonstrando que o exercício aeróbio é capaz de melhorar a condição de fadiga, funções metabólicas e desempenho físico.

 

Um dos fármacos usados para tratamento de câncer é a doxorrubicina (DOX), com um amplo espectro de atuação. Apesar de ter um bom efeito antitumoral, esse fármaco acaba sendo citotóxico também para outras partes do corpo. As principais queixas de efeitos colaterais dos pacientes que usam DOX são: fadiga, perda de desempenho e diminuição da massa muscular, sendo essa última uma consequência já esperada de pacientes com câncer antes do tratamento.

 

Buscando mimetizar o que acontece com pacientes em tratamento, o experimento foi realizado em camundongos sem tumores – o objetivo era analisar apenas o efeito do fármaco – que receberam 2,5 mg/kg de DOX duas vezes por semana durante seis semanas. Segundo a análise do pesquisador, o fármaco afetou diretamente alguns sistemas do corpo que levaram a efeitos colaterais como:

 

  1. Aumento de corticosterona, um hormônio que tem função sistêmica no organismo dos animais – seu correspondente no ser humano é o cortisol. Vários tecidos têm suas funções coordenadas por ele, mas a concentração em excesso passa a ser uma das causas que leva à atrofia muscular e perda da musculatura;
  2. Inibição da ativação da AMPk, uma proteína importante para o metabolismo celular.

 

A corticosterona, conhecido como hormônio do estresse, já tem sua quantidade no organismo aumentada por conta do próprio tratamento, uma situação estressante para o paciente.

 

Em seguida, os animais foram divididos em três grupos: o controle, que recebeu solução salina; animais que fizeram exercício aeróbio na esteira com 60% da velocidade máxima e animais que receberam metformina, um medicamento usado para tratamento de diabetes tipo 2. Essas duas abordagens, exercício e metformina, aumentam a ativação da proteína AMPk. A intenção do pesquisador era analisar métodos farmacológicos e não farmacológicos para minimizar os efeitos colaterais da quimioterapia.

 

O resultado apontou uma melhora no condicionamento físico e na resistência à fadiga dos animais exercitados, porém não houve alteração na perda de massa muscular. A diminuição de corticosterona em ambos os tratamentos indicaria uma “atenuação da condição de estresse sistêmico”. “No caso, o exercício físico é uma estratégia não farmacológica, de baixo custo e que no final acaba melhorando a qualidade de vida das pessoas tratadas”, explicou Lima. Na continuação do doutorado, ele pretende testar novamente as terapias na presença do tumor.

 

 

Rhaisa Trombini | ICB-USP

 

 

Publicado em 06/11/2019
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Instituto de Ciências Biomédicas, USP