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Molécula de bactéria do solo pode auxiliar no tratamento de câncer colorretal

Embora tenha um efeito antitumoral já conhecido, a seletividade da pradimicina-IRD pelas células desse tipo de câncer torna a molécula um possível agente terapêutico.

 

Na busca por alternativas mais baratas e eficazes para o tratamento de câncer, o Laboratório de Farmacologia de Produtos Naturais Marinhos do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) foca suas pesquisas em produtos naturais, moléculas encontradas na natureza que podem ter efeito terapêutico contra células tumorais. Uma das descobertas mais recentes foi de Larissa Costa de Almeida, doutoranda sob orientação da professora Letícia Veras Costa Lotufo, que apontou, pela primeira vez, a ação da molécula pradimicina-IRD contra células de carcinoma colorretal.  

 

A molécula foi extraída de uma bactéria do gênero Amycolatopsis sp., encontrada no solo, e os estudos iniciais realizados in vitro utilizaram células de três linhagens de câncer diferentes: mama, melanoma e colorretal, sendo escolhida a linhagem de câncer colorretal para os estudos seguintes, por apresentar-se mais sensível a pradimicina-IRD. Na análise, Almeida indica que a molécula tem maior seletividade para células com alta taxa de proliferação, como as do tumor, e é 10 vezes mais seletiva às células do carcinoma colorretal do que às células não tumorais. Os marcadores usados durante a pesquisa apontaram que a molécula ataca o DNA da célula do câncer colorretal, que já possui alta instabilidade genética, causando interrupção do ciclo celular e apoptose (morte celular programada).

 

            O próximo passo da pesquisa é descobrir quais genes de reparo de DNA são ativados pela molécula em estudo. Com isso, a pesquisadora pretende sugerir um novo alvo farmacológico para efeitos sinérgicos (efeitos aditivos) entre a pradimicina-IRD e um outro possível fármaco. “Uma vez que se entende qual é a via de reparo de DNA ativada pela pradimicina-IRD, inibir essa via potencializa o efeito, evitando problemas como resistência”, explica Almeida. O mecanismo antitumoral da pradimicina-IRD já é conhecido em outros agentes que estão disponíveis no mercado; sua vantagem na atual pesquisa é a alta seletividade para as células do câncer colorretal.

 

Apesar dos resultados promissores, realizar testes translacionais in vivo ainda não é uma realidade. O principal empecilho da pesquisadora é a quantidade de pradimicina-IRD produzida pela bactéria. Em testes in vitro, a quantidade é calculada em micrograma, já os testes in vivo precisam de miligramas, o que demanda mais tempo e suporte para produção da molécula.

 

Rhaisa Trombini | ICB-USP

 

 

Publicado em 27/11/2019
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Multimidia
Instituto de Ciências Biomédicas, USP