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Uma nova esperança para o tratamento da insuficiência cardíaca

Pesquisador brasileiro descobre molécula que abre caminho para um fármaco mais eficaz, capaz de melhorar o prognóstico da doença. Estudo foi publicado na Revista Nature Communications, nesta sexta-feira (18/01)

 

Uma molécula descoberta por um pesquisador brasileiro representa uma nova esperança para melhorar o tratamento da insuficiência cardíaca, aumentando a qualidade e a expectativa de vida dos pacientes – hoje em torno de cinco anos para grande parte deles. A insuficiência cardíaca é o último estágio de diversas doenças cardiovasculares, enfermidade que mais mata no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A descoberta dessa molécula abre caminho para a indústria farmacêutica desenvolver um novo fármaco, com capacidade para frear a progressão da doença de uma forma mais eficaz que os medicamentos disponíveis hoje no mercado.

 

Realizado pelo Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), em cooperação com a Universidade de Stanford, o estudo foi coordenado pelo pesquisador Julio Cesar Batista Ferreira, professor associado do Departamento de Anatomia do ICB-USP. A molécula em questão foi batizada de SAMBA, acrônimo de Selective Antagonist of Mitofusin 1 and Beta2-PKC Association, e vem sendo pesquisada por ele desde 2009. “Nós já solicitamos o pedido de patente da molécula e sua aplicação nos EUA. A próxima etapa é disponibilizar a molécula para pesquisadores testarem em outras doenças e buscar parceiros do setor privado interessados no desenvolvimento do fármaco em si, processo que pode levar aproximadamente  dez anos”, afirma Ferreira.

 

Inovação mundial – A descoberta da ação desta molécula no coração representa um avanço único no mundo para o tratamento da doença. “A grande maioria dos medicamentos disponíveis hoje para tratar a insuficiência cardíaca foi desenvolvida da década de 1980 e atuam fora da célula cardíaca. Precisamos de medicamentos mais efetivos que controlem processos críticos na célula cardíaca em sofrimento, capazes de aumentar o tempo e a qualidade de vida dos pacientes. Mas essa é uma tarefa árdua”, afirma Ferreira. Mais do que a molécula, o grupo de pesquisadores, sob a coordenação de Ferreira, descobriu um mecanismo crítico na degeneração cardíaca, associado ao mau funcionamento da mitocôndria – compartimento celular responsável pela produção de energia.

 

“A mitocôndria funciona como um motor de carro, onde problemas no seu funcionamento resulta em desperdício de combustível e maior poluição. Isso é o que acontece no coração de pacientes com insuficiência cardíaca”, afirma Ferreira. O grupo de Ferreira identificou um defeito importante no funcionamento da mitocôndria durante a insuficiência cardíaca. Esse defeito, regulado pela interação entre duas proteínas cardíacas, resultava na redução do tamanho da mitocôndria e consequentemente, menor capacidade de produzir energia e maior liberação de poluentes para as células cardíacas. Como resultado, as células morriam rapidamente. O SAMBA foi desenhado para bloquear a interação dessas proteínas cardíacas e evitar sua ação deletéria no motor da célula cardíaca. Em suma, os resultados mostraram que o tratamento isolado com a molécula SAMBA foi capaz de frear a progressão da insuficiência cardíaca em animais. Agora é necessário testar os possíveis efeitos aditivos que o SAMBA tem quando administrado concomitantemente com os fármacos já utilizados na clínica.

 

Sobre a insuficiência cardíaca: Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças cardíacas são as que mais matam no mundo, sendo que o número de pessoas acometidas por elas foi de 23 milhões em todo o mundo no ano de 2015. A insuficiência cardíaca é o último estágio de uma cardiopatia, que pode ser causada por um infarto mal tradado, hipertensão, problema na válvula do coração, por exemplo. No Brasil, segundo estudo publicado nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, também em 2015, o Brasil tem 100 mil novos casos de doenças cardíacas a cada ano, com 50 mil óbitos. Elas também têm um impacto financeiro grande sobre o sistema de saúde, com um custo de R$ 56,2 bilhões em 2015. Deste total, a insuficiência cardíaca foi responsável por R$ 22,1 bilhões.

 

Estudo foi publicado na Revista Nature Communications, nesta sexta-feira (18/01). Veja aquihttps://www.nature.com/articles/s41467-018-08276-6

Publicado em 18/01/2019
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Multimidia
Instituto de Ciências Biomédicas, USP